segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Tartarugas Marinhas

Longevas enquanto indivíduos e enquanto grupo biológico, as tartarugas marinhas mantiveram a sua morfologia praticamente sem mudanças significativas durante cerca de 150 milhões de anos, sendo animais verdadeiramente fascinantes.

As tartarugas marinhas são répteis que surgiram há 150 milhões de anos, resistindo às drásticas mudanças da Terra que levaram a extinções em massa de inúmeras espécies, entre as quais os dinossauros. Mantiveram praticamente a sua morfologia sem mudanças significativas até o tempo actual.

As tartarugas marinhas distinguem-se dos cágados ou tartarugas de água doce por uma série de características anatómicas, tais como a impossibilidade de recolher a cabeça dentro da carapaça, formas hidrodinâmicas e transformação das quatro extremidades em barbatanas aptas para a natação.

Apesar de cada espécie de tartaruga marinha ser distinta na sua aparência e comportamento, todas as tartarugas marinhas possuem características em comum.

A “concha” é constituída pela carapaça (parte superior) e pelo plastrão (parte inferior), unidas através de cartilagem de modo a proteger os órgãos internos. Na maior parte das espécies, existem escamas que cobrem a carapaça, sendo o seu número e disposição específicas de cada espécie.

As barbatanas dianteiras, principais órgãos para a propulsão, são bastante mais largas que as posteriores e são utilizadas simultaneamente, não de forma alternada. As barbatanas posteriores servem-lhes de remos.

Como todas as tartarugas, estas não possuem orelhas e os seus tímpanos estão cobertos por pele. Elas ouvem melhor em baixas frequências e o seu olfacto é excelente.

O seu comprimento pode variar de 53 cm até 1,9 m, não havendo diferenças de tamanho entre machos e fêmeas.

As tartarugas marinhas encontram-se nas águas temperadas e tropicais de todo o mundo. As fêmeas só abandonam o meio aquático para pôr os ovos no litoral, enquanto que os machos, a partir do momento em que chegam ao mar, não voltam a abandoná-lo em toda a vida.

Os adultos da maioria das espécies podem ser encontrados em águas superficiais e costeiras, baías, lagoas e estuários, sendo que alguns aventuram-se até ao mar aberto.

As tartarugas marinhas passam a maior parte do tempo submersas, emergindo periodicamente para respirar. Uma única exalação explosiva e uma rápida inalação, é tudo o que precisam para repor o seu suplemento de oxigénio. Durante a actividade normal, as tartarugas mergulham durante 4 ou 5 minutos e emergem para respirar durante 1 a 3 segundos. As tartarugas podem descansar ou dormir debaixo de água durante algumas horas, mas a sua capacidade de conter a respiração em intensa actividade ou em estado de stress é consideravelmente mais reduzida. Muitas tartarugas marinhas adultas dormem junto a rochas.

As tartarugas marinhas não têm dentes, sendo que as suas mandíbulas foram modificadas em bicos para esmagar, triturar, rasgar ou morder, dependendo da sua dieta.

A maioria das tartarugas é carnívora, e os animais que constituem o seu alimento são crustáceos, anfíbios e peixes. Estas podem usar diferentes áreas de alimentação em cada estado de crescimento.

A maioria das tartarugas marinhas normalmente migram longas distâncias entre a sua área de alimentação e as praias de desova. Ninguém tem a certeza de como elas encontram o seu caminho. Muitas teorias têm sido desenvolvidas, tais como que as tartarugas se orientam através das estrelas, sol ou luz polarizada, determinam a latitude através sensação de velocidade de rotação da Terra ou o seu grau de inclinação, ou que seguem o gradiente de um sabor ou cheiro particular emanado de rios ou zonas costeiras.

A taxa de crescimento das tartarugas marinhas é muito variável. Geralmente elas demoram a atingir a maturidade e acredita-se que têm um período fértil de desova relativamente longo, talvez tão longo como 75 a 100 anos.

As tartarugas atingem a maturidade sexual a idades que variam desde os 7 anos em tartarugas em cativeiro e perto de 50 em tartarugas selvagens, dependendo da espécie e da qualidade do habitat no qual se alimentam.

As tartarugas desovam 50 a 200 ovos do tamanho de bolas de ping-pong, sendo o período de incubação para a maioria das espécies de 45 a 70 dias.

Os primeiros momentos fora dos ovos são possivelmente os mais perigosos na vida de uma tartaruga marinha. Os predadores são abundantes e muitas crias não conseguem chegar à zona da rebentação marinha. Formigas, caranguejos, raposas, coiotes e abutres, são apenas alguns dos animais que se alimentam dos ovos e das crias. As bactérias nos ninhos também ajudam à mortalidade, destruindo muitos ovos antes destes eclodirem. As crias que sobrevivem aos predadores da praia, têm de enfrentar os predadores que estão à sua espera no mar. O escuro providencia alguma protecção, mas não muita, e as crias que emergem durante a luz do dia raramente chegam muito longe, porque aves predadoras como andorinhas-do-mar, gaivotas e alcatrazes estão à sua espera.

Felizmente o grande tamanho e a dura carapaça das tartarugas marinhas adultas fazem delas presas menos fáceis para a maior parte dos animais.

Cientistas reconhecem 7 espécies vivas de tartarugas marinhas, agrupadas em 6 géneros. A tartaruga boba ou tartaruga careta (Caretta caretta), distingue-se por possuir uma cabeça bastante grande em relação ao corpo. A tartaruga verde (Chelonia mydas), é assim designada devido à cor da sua gordura localizada abaixo da carapaça. A carapaça da tartaruga de couro (Dermochelys coriacea) é quilhada e sem escamas, tendo a aparência de couro, enquanto que a tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea) tem uma aparência esverdeada. Existem ainda a tartaruga de Kemp (Lepidochelys kempi), a tartaruga bico-de-falcão (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga australiana (Natator depressus).

Madalena Salgado

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cetáceos

Os Cetáceos são fascinantes mamíferos aquáticos, que possuem sangue quente e respiram o ar atmosférico por meio de pulmões, vindo à superfície em intervalos regulares para realizar as trocas gasosas. Temos o prazer de os apresentar.

Os Cetáceos, do latim cetus (grande animal marinho) e do grego ketos (monstro marinho), são animais com formas e tamanhos variados, desde os pequenos golfinhos, que mal ultrapassam um metro de comprimento, até à baleia azul, que mede cerca de 25 metros de comprimento e que é o maior animal vivo da Terra. Além de baleias e golfinhos, outros animais pertencem a este grupo, como a orca, o boto, o narval e o cachalote. Os Cetáceos distribuem-se por todos os oceanos e pela maioria dos grandes rios de todo o mundo, desde as águas quentes do equador até às águas frias dos pólos. Actualmente estão reconhecidas 81 espécies, mas pensa-se que mais se irão descobrir.

Peixe ou Cetáceo?
Durante muitos anos pensou-se que as baleias e os golfinhos eram peixes, com a particularidade de esguichar água (“peixes que esguicham”). À primeira vista, os golfinhos e os botos podem parecer peixes, em particular tubarões, pela forma do corpo. As semelhanças são impressionantes, mas se olharmos com atenção podemos verificar que apesar de viverem na água, possuírem barbatanas dorsais, laterais e caudais, há algumas diferenças. A melhor maneira de distinguir um Cetáceo de um peixe, é olhar para a cauda; a cauda de um Cetáceo é horizontal e move-se de baixo para cima, enquanto a cauda de um peixe é vertical e move-se lateralmente. Pelo facto de serem mamíferos, apresentam ainda diferenças fisiológicas, têm sangue quente, respiram ar e reproduzem-se mais cedo.

Origem
Há cerca de 50 milhões de anos, florestas tropicais, pântanos e mares em formação foram o habitat de animais terrestres ungulados, cobertos de pêlo e com quatro patas. Na sua procura por novas fontes de alimento, estes animais terão começado a explorar o meio marinho. Esta nova forma de vida levou à necessidade de adaptações ao novo habitat. Durante o período de adaptação, perderam as características que as adaptavam ao meio terrestre. Os seus membros desapareceram, o corpo alongou-se, grande parte do pêlo desapareceu, reduzindo a resistência do corpo à água e a sua cauda foi substituída por barbatanas.

O processo de deslocação do meio terrestre para o meio aquático levou a alterações fisiológicas profundas, além da alteração na locomoção, os animais tiveram de desenvolver novas técnicas de detecção e captura das suas presas. Todas estas adaptações levaram alguns milhares de anos até ao aparecimento dos primeiros Cetáceos no oceano.

Os primeiros animais realmente parecidos com baleias – Arqueocetos - desapareceram há cerca de 30 milhões de anos. Havia várias espécies de Arqueocetos, de tamanhos muito diversos, variando entre os 2 e os 21 metros. O seu corpo tinha a forma de um torpedo e os membros anteriores transformaram-se em remos. Actualmente a ordem dos Cetáceos é constituída apenas por duas classes; Misticetos e Odontocetos.

Características
Os dois grandes tipos de Cetáceos, distinguem-se pelo facto dos Odontocetos terem dentes e os Misticetos terem barbas. Estes costumam realizar migrações nos períodos de alimentação e reprodução da espécie, na época do verão nos pólos, para se alimentarem, e na época do Verão dos trópicos, para copularem e se reproduzirem. O maior Misticeto é a baleia-azul que pode atingir até 33m de comprimento. A classe dos Odontocetos é representada pelos Cetáceos que possuem dentes, como o cachalote, a orca e os golfinhos. Estes animais têm apenas uma dentição e podem ser encontrados tanto em mares como em rios (ex.: boto-cor-de-rosa). O cachalote é o maior Odontoceto e pode medir até 18m. A maioria dos grandes Cetáceos têm barbas em vez de dentes, e as suas grandes maxilas permitem-lhes apanhar de uma só vez milhares de crustáceos e peixes.

Todos os Cetáceos apresentam uma ou duas aberturas no topo da cabeça, os espiráculos que são as aberturas exteriores do sistema respiratório semelhantes às nossas narinas. Nos Cetáceos com barbas há dois espiráculos, mas os Odontocetos apresentam apenas um orifício respiratório. Os espiráculos estão situados geralmente no alto da cabeça, no entanto a forma exacta e a localização variam consoante a espécie. Quando mergulham, músculos poderosos fecham os espiráculos evitando assim a entrada de água.

Os olhos são laterais, estando numa posição posterior e imediatamente acima da linha da boca. As terminações auditivas encontram-se uns centímetros atrás e abaixo de cada olho. A vida no mar levou-os a perderem o ouvido externo. Actualmente o ouvido dos Cetáceos não é mais do que um pequeno orifício na pele.

A maioria dos Cetáceos diferencia-se pelo seu tamanho, pelas suas cores e desenhos corporais, que no entanto, podem variar entre animais da mesma espécie. Por vezes o macho e a fêmea são diferentes na sua coloração, podendo também mudar de cor à medida que envelhecem.

Ao contrário dos mamíferos terrestres, os Cetáceos não possuem espessos mantos de pelo para os proteger da temperatura exterior, por isso estão revestidos por uma gordura isoladora, conhecida como camada adiposa, que em determinadas espécies pode chegar aos 50 cm.

No corpo existem quatro barbatanas, sendo um par peitoral que se situa atrás da cabeça, uma dorsal, que está ausente em algumas espécies, e por fim a caudal. As barbatanas peitorais são usadas fundamentalmente para controlar a posição do corpo e a direcção da deslocação.

Sendo os Cetáceos animais que vivem só no meio aquático, têm um sistema reprodutor diferente. Embora o ritual de cortejamento possa demorar várias horas, a cópula é um processo rápido. A gestação varia entre 9 e 16 meses, nascendo uma ou, raramente, duas crias. O período de amamentação é cerca de um ano e é nesta fase que aprendem a pescar com o grupo.

Um dos processos sensoriais e comunicativos mais importantes e especializados é a ecolocalização eu econavegação. Trata-se de um sistema sensorial no qual o animal obtém informação sobre o meio pela comparação mental de um sinal acústico emitido com o eco recebido. Foi nos morcegos que este processo foi inicialmente demonstrado e descrito. No séc. XVIII, Spallanzani fez várias observações sobre a capacidade de orientação dos morcegos no escuro, incluindo os morcegos cegos. Já no séc. XX, Norris sugere que o refinamento deste mecanismo sensorial nos Odontocetos foi um passo crucial para garantir a supremacia deste grupo relativamente aos Arqueocetos.

Susana Ribeiro

domingo, 23 de agosto de 2015

Fauna Urbana – a vida selvagem à nossa porta

Ao contrário do que se poderia supor, as cidades não são domínio exclusivo dos seres humanos. Nos jardins, lagos, hortas e edifícios é possível encontrar uma miríade de seres vivos que aprendeu a tirar partido dos habitats das nossas urbes.

Ao contrário do que muitas pessoas poderiam supor, as cidades não são domínio exclusivo dos seres humanos. Nos jardins, lagos, hortas e edifícios é possível encontrar uma miríade de seres vivos que aprendeu a tirar partido dos diferentes habitats das nossas urbes. São aves e mamíferos, mas também répteis e anfíbios cuja vizinhança muitas vezes desconhecemos mas que partilham connosco a selva urbana.

Quando há 12 000 anos atrás surgiram, no Crescente Fértil, as primeiras cidades, dificilmente os seus habitantes poderiam imaginar que milhares de anos mais tarde as suas urbes de adobe, madeira e pedra, haveriam de evoluir para gigantescas «ilhas» de tijolo, vidro, betão e aço onde vivem actualmente mais de 1500 milhões de pessoas. Talvez as cidades modernas tenham poucos encantos naturais quando comparadas com as primitivas cidades Sumérias, apesar disso também elas se converteram em redutos ecológicos importantes para inúmeras espécies de animais selvagens, a ponto destas chegarem a ser consideradas como ecossistemas completos nos quais a biodiversidade se relaciona entre si e com o meio envolvente com a mesma perfeição com que o faz nos espaços inalterados pelo Homem.

Mas o que terá levado tantas espécies animais, algumas delas raras nos seus habitats naturais, a ocupar estes ambientes artificiais criados pelo Homem, a adaptar-se a eles e a prosperar? Aparentemente, a resposta é simples: abundância de alimento, fruto dos desperdícios orgânicos dos habitantes humanos; ausência quase total de predadores e maior tolerância por parte dos seres humanos; abundância de abrigos e nichos ecológicos (ex.: casas abandonadas, ruínas, torres de igrejas, cemitérios, telhados, varandas, terraços, pátios, jardins, hortas, árvores, lagos, fontes, esgotos e todo o tipo de canalizações subterrâneas); e condições climatéricas mais acolhedoras, sobretudo em termos de temperatura, pois as cidades funcionam como «ilhas de calor» que, em média, registam temperaturas 1,5 ºC acima dos valores que se verificam fora do espaço urbano. Em certos casos, a adaptação à vida urbana foi de tal forma bem sucedida que algumas espécies de animais simplesmente deixaram de conseguir sobreviver sem a presença do Homem, como acontece, por exemplo, com os vulgares pardais-domésticos (Passer domesticus), que não sobrevivem em povoações que tenham sido abandonadas pelos residentes humanos.

Mas nem tudo são rosas para esta fauna urbana. Exposta a todo o tipo de perigos, os animais da cidade têm uma esperança média de vida relativamente curta, situação viável apenas devido a uma elevada fertilidade que permite a algumas espécies contrabalançar as pesadas perdas provocadas por factores como a poluição atmosférica; o excesso de ruído; os atropelamentos; a falta de refúgios nas edificações modernas; a escassez de vegetação; e até o elevado nível de stress a que muitas «espécies urbanas» estão sujeitas, como o comprovam estudos etológicos realizados em populações de aves urbanas, segundo os quais estes animais apresentam níveis de stress e hiperactividade comparáveis aos de um alto executivo humano.

Dependendo da localização e da quantidade e qualidade dos habitats disponíveis, as cidades atraem maior ou menor diversidade de animais. De todos os grupos de animais que frequentam ou habitam as nossas cidades, as aves são, claramente, o mais abundante. Mas não se pense que as aves se resumem aos pardais, às pombas, às gaivotas ou às andorinhas. Com efeito, a elevada capacidade de adaptação das aves, aliada a uma maior diversidade de espécies, converteu-as em verdadeiras estrelas da nossa fauna urbana, proporcionando às populações de muitas cidades portuguesas, nomeadamente daquelas onde abundam parques e jardins, terrenos baldios e/ou zonas ribeirinhas, a oportunidade de tomar contacto com o mundo novo da «ornitologia urbana».

Lisboa possui, talvez, a maior e mais estudada comunidade de aves urbanas do país. De acordo com Hélder Costa, ornitólogo da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e autor do livro Lisboa AVES, «nidificam actualmente em Lisboa cerca de 28 espécies, embora o número total de espécies registadas ronde as 138». Apesar deste número, poucos serão os lisboetas que conhecem verdadeiramente as suas aves. Com efeito, refere este ornitólogo, «com excepção dos pombos, das gaivotas e dos pardais, de uma forma geral, a maior parte dos lisboetas não se apercebe muito da existência de aves da cidade» o que, tendo em conta a profusão de espécies que ocupa a capital, não deixa de ser sintomático do alheamento dos habitantes humanos face aos seus vizinhos alados. Na verdade, a maioria dos lisboetas continua a desconhecer que entre os seus vizinhos se incluem espécies tão singulares como, por exemplo, os flamingos (Phoenicopterus ruber) que por vezes aparecem na zona do Parque Expo; os peneireiros (Falco tinnunculus) que nidificam desde o final da década de 90 nos respiradouros da Torre do Tombo e que frequentam algumas zonas da cidade, especialmente onde ainda subsistem terrenos baldios, parques de média dimensão ou restos de antigas quintas (zona do aeroporto, zona das Olaias, etc.); os andorinhões-pálidos (Apus pallidus), que criam em grande número nos edifícios antigos do centro histórico; as alvéolas-brancas (Motacilla alba), que se aglomeram às dezenas todas as noites nas árvores-dormitório da Praça de Espanha; os falcões-peregrinos (Falco peregrinus), que por vezes sobrevoam o parque Eduardo VII ou utilizam as pontes 25 de Abril e Vasco da Gama como poiso altaneiro; ou ainda as esquivas garças-nocturnas (Nycticorax nycticorax), que por vezes frequentam os lagos dos jardins da cidade, como acontece no Hospital D. Estefânia.

Do Minho ao Algarve, o rol de cidades e vilas onde se observam toda a sorte de aves, algumas das quais raras, é surpreendentemente longo. Em Viana do Castelo ou em Caminha, por exemplo, as marginais, situadas respectivamente nas margens do estuário do rio Lima e Minho, são frequentemente local de poiso e passeatas de aves aparentemente tão estranhas à cidade como o maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos), a narceja-galega (Lymnocryptes minimus), a garça-branca-pequena (Egretta garzetta) e o corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) entre muitas outras. Mais para o interior do país, em Montalegre, o centro histórico é local de nidificação habitual de rabirruivos-pretos (Phoenicurus ochruros), andorinhões-pretos (Apus apus), e até de chascos-cinzentos (Oenanthe oenanthe), ariscos visitantes estivais dificilmente observáveis noutra área urbana do país que não nesta vila raiana de Trás-os-Montes. Em pleno centro da cidade do Porto, no Parque da Cidade, entre andorinhas-das-barreiras (Riparia riparia), cartaxos (Saxicola torquata), galeirões (Fulica atra), galinhas-de-água (Gallinula chloropus), guinchos (Larus ridibundus), garças-cinzentas (Ardea cinerea) e até guarda-rios (Alcedo atthis), a lista de espécies observadas ao longo do ano é tão extensa e rica que o Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS), já demonstrou, inclusive, a intenção de elaborar um guia de aves do Parque da Cidade que permita aos visitantes identificar e conhecer a riqueza avifaunística deste pulmão verde da cidade. No entanto, a ideia não é nova na Invicta. Em 1993, a Fundação de Serralves, localizada nas imediações da Avenida da Boavista, lançou o livro Aves de Serralves, onde são descritas as 79 espécies de aves com que os visitantes dos jardins da Fundação se podem deparar habitualmente. Entre estas, destaque para espécies vistosas como a poupa (Upupa epops), o gaio (Garrulus glandarius) e a pega-rabuda (Pica pica), e ainda para dois residentes inusitados: a coruja-das-torres (Tyto alba) e o mocho-galego (Athene noctua), duas rapinas nocturnas relativamente comuns nesta parte da cidade, embora mais frequentemente escutadas do que observadas pelos habitantes humanos.

Na região centro, próximo da cidade de Coimbra, a Mata Nacional do Choupal é local de nidificação de vários casais de milhafre-preto (Milvus migrans), uma rapina que se tornou tão comum na região, que os habitantes da cidade já se habituaram a vislumbrar as suas silhuetas planando lentamente sobre a baixa da cidade, sobre a auto-estrada A1 ou sobre as margens urbanizadas do Mondego, em busca de presas.

No centro-sul do país, em grandes cidades como Castelo Branco, Portalegre e Beja, ou em pequenas vilas como Figueira de Castelo Rodrigo, Barrancos, Alcácer do Sal, ou Mértola, as cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) também se tornaram, nas últimas décadas, inquilinas notadas e incontornáveis, construindo os seus enormes ninhos sobre campanários, torres e chaminés, com o mesmo à vontade com que exibem as suas ruidosas paradas nupciais. Mas em Mértola, não são apenas as cegonhas que pontuam os céus da vila. Durante a Primavera e o Verão, um pequeno e raro falcão migrador que nidifica no sul do Mediterrâneo e inverna em África, regressa a esta pequena povoação para criar a sua prole. Trata-se do francelho-das-torres (Falco naumanni), uma ave de rapina que nidifica em velhos edifícios, montes abandonados e muralhas. No passado, terá sido bastante abundante pelas vilas e cidades do sul de Portugal, como Évora ou Castro Marim, mas actualmente, a população está estimada em apenas cerca de 160 casais repartidos por 10 colónias de criação, sendo uma das mais importantes, aquela que cria na igreja matriz, no castelo e nos velhos edifícios de Mértola, com cerca de 60 casais recenseados.

A maioria das pessoas reconhece certamente as aves como vizinhos rotineiros no habitual frenesim citadino. Mas quantos de nós terão alguma vez atentado nas diversas espécies de répteis e até anfíbios que povoam as nossas cidades? Na cidade de Lisboa, por exemplo, os muros, os jardins e até os interiores das casas abandonadas ou arruinadas dos bairros históricos, constituem um lar excelso para a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis), uma serpente não venenosa e inofensiva para o ser humano, com excepcionais qualidades trepadoras, que se alimenta dos abundantes ratos e ratazanas que infestam esta área da cidade, embora também cace outros répteis, como a osga-comum (Tarentola mauritanica) e a lagartixa-ibérica (Psammodromus hispanicus), também eles habitantes muitas vezes inauditos destes «condomínios de luxo» que são os velhos bairros do centro histórico da capital. Na cidade de Évora, um outro réptil, a osga-turca (Hemidactylus turcicus), uma espécie de pequenas dimensões, bastante rara entre nós e de distribuição localizada, também coexiste, muitas vezes incógnito, com os seres humanos. De actividade exclusivamente nocturna, é surpreendentemente frequente na cidade, sobretudo em ruas pouco movimentadas, num claro contraste com o que se verifica fora do espaço urbano eborense, onde é bastante rara. Mais a sul, no Algarve, também os inofensivos camaleões (Chamaeleo chamaeleon) vivem lado a lado com os milhares de veraneantes que anualmente invadem o litoral algarvio. Embora mais comuns nos pinhais litorais, sobretudo na região do centro e sotavento algarvio, os camaleões ocorrem também em zonas com árvores de fruto e vinhas, em áreas semiurbanas, paredes-meias com o casario das cidades de Faro, Tavira e Vila Real de Santo António.

Menos ubíquos do que os répteis, dada a sua menor tolerância à poluição e dependência relativamente à água para completar o ciclo biológico, os anfíbios também são presença habitual em algumas das nossas vilas e cidades. No norte e centro do país, algumas cidades costeiras, como Esposende, Vila do Conde, Póvoa do Varzim e Figueira da Foz, albergam nas suas frentes ribeirinhas dunares populações de sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes), uma espécie de anfíbio de hábitos nocturnos que apenas se observa com alguma facilidade nas noites suaves e chuvosas quando emerge da areia. Na cidade do Porto, o Parque da Cidade e o Jardim Botânico, são igualmente refúgio de várias espécies de anfíbios, entre os quais o sapo-comum (Bufo bufo), a rã-verde (Rana perezi), a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) e até o sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans), um pequeno anfíbio assim apelidado pelo facto do macho desta espécie transportar «às costas» a postura de ovos da fêmea, praticamente até à sua eclosão.

À noite, quando os habitantes humanos se recolhem nas suas casas, a escuridão traz às ruas, aos becos, aos jardins e até às nossas próprias casas os mais esquivos e furtivos habitantes da «fauna urbana»: os mamíferos. Apesar do reduzido número de espécies de mamíferos que colonizou os ambientes urbanos portugueses, as que o conseguiram, exploraram este novo habitat como nenhum outro grupo de animais. É o caso de algumas espécies de pequenos roedores, como o rato-caseiro (Mus musculus), mas sobretudo a ratazana-castanha (Rattus norvegicus), cuja população na área da grande Lisboa, se calcula em cerca de 4,5 milhões de animais, praticamente o equivalente ao dobro da população humana residente! Mas os «mamíferos urbanos» não se resumem a estas espécies «oportunistas». Grandes cidades como Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Setúbal ou Faro, possuem, apesar da contínua expansão do betão, inúmeras áreas cultivadas espalhadas um pouco por todo o seu espaço urbano: são as hortas. Embora não passem de pequenos espaços de terra agricultada, para algumas espécies de mamíferos insectívoros, como a toupeira (Talpa caeca), o musaranho-de-dentes-brancos-grande (Crocidura russula) e até o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), constituem verdadeiros édenes onde a abundância de alimento e de esconderijos, permite uma sobrevivência citadina relativamente desafogada e sossegada. Menos comum, mas nem por isso menos familiarizado com os jardins e parques de algumas das nossas cidades, é o esquilo (Sciurus vulgaris). Até há alguns anos atrás, pelo facto da espécie se encontrar extinta em Portugal desde o século XVI, as únicas populações urbanas de esquilos resumiam-se aos animais introduzidos no Parque Ecológico de Monsanto, em Lisboa, e no Jardim Botânico de Coimbra. Actualmente, graças a uma recolonização natural a partir da Galiza, o esquilo regressa lentamente à convivência dos habitantes de algumas cidades, sobretudo do norte e centro do país (Caminha, Amarante, Penafiel, Valongo, Vila Nova de Gaia, Lamego, etc.), onde a abundância de áreas florestadas se revela ideal para a instalação deste sociável animal arborícola. Porém, alguns dos nossos vizinhos mamíferos, como os morcegos, não gozam de tão boa reputação. No entanto, sob as telhas, por detrás de uma portada, numa cave escura e pouco utilizada, ou simplesmente no buraco de uma árvore, os morcegos vivem mais perto de nós do que suspeitamos e ocorrem em praticamente todas as cidades portuguesas. O morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus) é claramente a espécies de morcego mais comum nas nossas cidades, embora o morcego-hortelão (Eptesicus serotinus), o morcego-rabudo (Tadarida teniotis) e o morcego-arborícola (Nyctalus noctula) também sejam espécies que frequentam as nossas áreas urbanas. Apesar de pouco estimados pelos seres humanos, estes pequenos mamíferos alados desempenham um importante papel ecológico nas nossas cidades, já que se alimentam quase exclusivamente de pequenos insectos, muitos dos quais são incómodos e prejudiciais para os seres humanos. Se nos lembrarmos que um morcego consome, numa única noite, o equivalente ao seu peso em insectos, facilmente poderemos depreender que sem estes eficazes caçadores nocturnos, as nossas vilas e cidades, por certo que seriam espaços bem menos habitáveis para os seres humanos.

Manuel Nunes

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Desaparecimento de mamíferos no Sul da Florida associado a pitão-da-Birmânia

A pitão-da-Birmânia pode ser a responsável pela queda abrupta do número de mamíferos de um dos parques naturais mais emblemáticos dos Estados Unidos, mostra um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Science. Os cientistas não sabem o que o futuro reserva ao ecossistema do parque.

Algumas das espécies de mamíferos, como o coelho e o coiote, diminuíram a ocorrência em cerca de 99% em pouco mais de dez anos. “Descrevemos um aparente declínio severo que coincide temporalmente e espacialmente com a proliferação da pitão-da-Birmânia, no Parque Nacional Everglade”, escreve no artigo a equipa norte-americana.

Há mais de 30 anos que no Sul da Florida a Python molurus bivittatus é avistada, uma cobra constritora (animal que mata as suas vítimas apertando-as) que atinge os seis metros de comprimento, original do sudeste Asiático. Mas só em 2000 é que foi dada como estabelecida no Parque Nacional Everglade.

O réptil tem sido importado para os Estados Unidos como animal de estimação. O mais provável é ter acabado na natureza por fuga, por libertação feita por donos, ou ainda por algum acontecimento que permitiu que um número de espécimes tenha fugido de lojas de animais.

Em apenas uma década, os técnicos passaram do zero para retirar cerca de 380 pitões do parque, ao longo do ano de 2009. “Em qualquer população de serpentes só se encontra uma pequena fracção do número de espécimes que realmente existe”, disse Michael Dorcas, à BBC News. O cientista é um dos autores do estudo e pertence ao Davidson College, da Carolina do Norte, EUA. Esta espécie “é o novo predador de topo do Parque Nacional de Everglades – um predador que não deveria estar lá”.

Ao mesmo tempo que o número de serpentes foi aumentando, o número de mamíferos foi diminuindo. Os cientistas verificaram esta queda ao percorrerem as estradas do parque à procura de animais mortos durante a última década, e comparando com dados anteriores a 2000.

“Antes de 2000, os mamíferos eram encontrados frequentemente durante inspecções nocturnas feitas nas estradas dentro do Parque Nacional de Everglade. Por oposição, em inspecções feitas às estradas que totalizaram 56.971 quilómetros entre 2003 e 2011 documentou-se uma diminuição de 99,3% na observação de guaxinis, uma diminuição de 98,9% e 87,5% nos Didelphimorphia [marsupiais que existem no continente Americano] e no lince-pardo, respectivamente, e falhámos em detectar coelhos”, lê-se no artigo.

O Parque Nacional Everglade é um dos mais importantes dos Estados Unidos, tem pouco mais de 2000 quilómetros quadrados, em comparação o distrito de Lisboa tem 2700 quilómetros quadrados. É um quarto da área total dos Everglades, uma zona húmida, sub-tropical, com muitos pântanos alimentados pelo rio Kissimmee.

O parque é Património da Humanidade, pela UNESCO, e tem inúmeras espécies animais, como roedores, aligatores, veados, e outros mamíferos e aves. Muitas correm risco de extinção.

Segundo o artigo, muitos dos mamíferos que diminuíram abruptamente de número, como o coelho, guaxinis, veados, ou o lince-pardo foram já documentados como tendo servido de refeição a pitões. Por outro lado, a diminuição de certas espécies que são alimento ou predam outras tem consequências na cadeia alimentar do parque.

Os cientistas andaram por estradas de regiões onde o réptil estava estabelecido há anos, outras em que tinha aparecido há pouco tempo, e outras ainda onde não tinha sido documentado, e foi nestas última que a equipa encontrou mais mamíferos.

“Não é pouco razoável assumir que sempre que há quedas maiores nos mamíferos, como acontece neste caso, vai haver um impacto global no ecossistema. Quais os impactos específicos que vão ocorrer, não sabemos. Mas é possível que sejam bastante profundos”, disse Dorcas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Descritas 3 novas espécies do primata com uma mordida tóxica


Uma equipa internacional de cientistas descreve num artigo na revista American Journal of Primatology três novas espécies de lóris pertencentes ao género Nycticebus, conhecido pela sua mordida tóxica. Duas das novas espécies, N. borneanus e N. bancanus, foram, em tempos, consideradas subespécies de N. menagensis, enquanto que N. kayan era totalmente desconhecida.

As novas espécies de lóris, um primata noturno asiático aparentado dos lémures, de Madagáscar, vivem na ilha do Bornéu, e a sua classificação como espécies distintas resulta das diferenças que apresentam em termos das dimensões corporais, da densidade da pelagem, da coloração facial que faz com que pareça que tenham uma máscara e, ainda, do tipo de habitat.

A reorganização taxonómica que resultou no aumento do número de espécies de Nycticebus, tem importantes implicações ao nível da Conservação. Em primeiro lugar, torna necessário um maior esforço de conservação para conservar estes primatas, já que, em vez de uma espécie ameaçada, se passa a ter 4 espécies “em perigo ou ameaçadas”, pode ler-se no comunicado de imprensa da University of Missouri.

 “Quatro espécies diferentes são mais difíceis de proteger do que uma, já que cada espécie necessita de manter o seu efetivo populacional e ter habitat florestal suficiente”, explica Rachel Munds (University of Missouri – EUA), co-autora do novo artigo.

Com efeito, M. menagensis, a espécie que anteriormente aglomerava as que são agora consideradas como espécies diferentes, encontra-se classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. As principais ameaças identificadas, que provavelmente também se aplicam às novas espécies, são a perda do habitat florestal devido à conversão em plantações de palmeira para produção de biocombustíveis, e a crescente captura para alimentar o comércio de animais de estimação, para usar como modelo em fotos com turistas e para utilização na medicina tradiconal asiática.

Por outro lado, o reconhecimento como espécies distintas sugere que pode haver, nas luxuriantes florestas tropicais da região, mais novas espécies por classificar. Dada a crescente ocupação humana, esta hipótese torna ainda mais urgente intensificar aí os esforços conservacionistas.



Fontes: Filipa Alves/ phys.org e munews.missouri.edu

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Surto de quitridiomicose terá sido responsável pelo declínio das populações de sapo-parteiro-comum na Serra da Estrela


Um trabalho trabalho já publicado online na revista Animal Conservation revela as populações de sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans) do Parque Natural da Serra da Estrela sofreram um acentuado declínio como resultado de um surto de quitridiomicose, doença que pode levar à extinção local da espécie.

A quitidriomicose é uma doença infeciosa causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis que é reconhecida, na atualidade, como uma das duas mais sérias ameaças globais para os anfíbios. Com efeito, o fungo que se pensa ter tido origem em África e que se espalhou por todo o mundo já causou várias extinções, tendo o primeiro caso de infeção na Península Ibérica sido registado há cerca de 10 anos.

Em agosto de 2009 foram encontradas centenas de sapos-parteiros-comuns mortos nas água de um lago e nas suas imediações, no interior do Parque Serra da Estrela (PNSE), o que motivou a realização de um estudo para determinar o impacto de uma nova epidemia da doença nas populações da área protegida. Este trabalho foi levado a cabo em 2010 e 2011, por uma equipa liderada pelo biólogo Gonçalo M. Rosa, investigador do Durrell Institute of Conservation and Ecology (Universidade de Kent) e do Centro de Biologia Ambiental da (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).

Os resultados da investigação revelaram que as populações de sapo-parteiro-comum do PNSE se encontram numa situação precária, e sugerem que isto pode ter sido causado por um surto de quitridiomicose. Com efeito, os investigadores observaram uma redução de 67% da área de ocorrência da espécie, detetaram uma redução de 84% nos locais de reprodução e verificaram que nos restantes locais (16%) as larvas são menos abundantes e grande parte está infetada pelo Batrachochytrium dendrobatidis. Deste modo, os autores do trabalho concluem que é urgente implementar medidas de conservação para evitar a extinção local da espécie.

Fontes: Filipa Alves/onlinelibrary.wiley.com e www.wildlifeextra.com

sábado, 15 de agosto de 2015

Nova espécie de peixe chama-se Obama


Uma espécie de peixe de água doce recentemente descoberta recebeu o nome do atual presidente dos EUA. Outras espécies também descobertas receberam ainda nomes de antigos presidentes e um vice-presidente, pelas credenciais ambientais nas suas ações.

Investigadores atribuíram o nome do atual presidente dos EUA, Barack Obama, a uma espécie de peixe de água doce que recentemente descobriram. Os investigadores descobriram no norte da América cinco novas espécies da família das percas. São pequenos peixes muito coloridos que percorrem os cursos de água e pertencem a um grupo de percas mais comuns no norte de Alabama e no leste de Tennessee.

O Etheostoma Obama, é uma espécie muito pequena, em que os machos atingem 48 mm e que evidencia azuis e faixas laranja. Os investigadores escolheram o nome Obama para esta espécie considerando a liderança ambiental inédita, particularmente no caso das energias renováveis e protecção do ambiente, e por ser dos primeiros líderes norte-americanos com uma visão mais global para conservação e protecção do ambiente.

As outras espécies descobertas receberam nomes de antigos presidentes, também pelas suas credenciais ambientais: Teddy Roosevelt por ter delimitado vastas áreas silvestres para parques e monumentos; Jimmy Carter pelas políticas energéticas e trabalho humanitário após ter sido presidente e Bill Clinton pelas políticas de conservação. A quinta espécie recebeu o nome de um vice-presidente, Al Gore, pelo famoso trabalho ambiental e por ser nativo de Tennessee, tal como a espécie descoberta.

Fonte: Nuno Leitão/Guardian

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Acrobacias da Baleia-azul para atacar as presas



As baleias azuis realizam uma série de manobras para atacarem o zooplâncton de surpresa, rodopiando 360º.

Os investigadores do Cascadia Research Collective descobriram que a Baleia-azul faz acrobacias para atacar as presas. Estas baleias engolem 100 toneladas de água em 10 segundos por sucção para se alimentarem do plâncton. Neste trabalho verificaram que estes grandes mamíferos fazem manobras acrobáticas para ganharem direcção e realizar ataques surpresa, rodopiando 360º no ataque.

Estas baleias alimentam-se maioritariamente de Krill, pequenos crustáceos que fazem parte do zooplâncton. Este krill têm respostas para escapar , pelo que as baleias adoptam estratégias de captura que correspondem às acrobacias agora analisadas.

As baleias, depois de se posicionarem com as suas manobras para uma posição surpresa, atacam por baixo as plataformas de plâncton rodopiando e abrindo a boca quando estão a cerca de 180º. terminando com a volta de 360ª, quando ficam novamente na horizontal e preparadas para o ataque seguinte.  

Fonte: Nuno Leitão/BBC
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